Saiba como evitar trombose durante o voo, quais são os fatores de risco, os principais cuidados e quando procurar avaliação médica antes de viajar.
Viajar de avião pode ser uma ótima experiência, mas também exige atenção à saúde. Passar muitas horas sentado, especialmente em voos longos, pode aumentar o risco de formação de coágulos nas veias das pernas — um problema conhecido como trombose venosa profunda (TVP). Como explica o Prof. Dr. Kasuo Miyake, “no avião, você vai com a perna para baixo, o sangue fica parado. Você não mexe, toma um remédio para dormir e pode ter uma trombose.”
A TVP ocorre quando um coágulo se forma em uma veia profunda, geralmente nas pernas. Em alguns casos, esse coágulo pode se deslocar até os pulmões e causar uma embolia pulmonar, uma complicação potencialmente grave. Isso não significa que toda viagem aérea resulte em trombose; o risco está mais relacionado à combinação entre imobilidade prolongada e fatores individuais de predisposição.
De acordo com o Prof. Dr. Kasuo Miyake, três pontos merecem atenção:
O sangue pode apresentar uma tendência maior à coagulação em pessoas com histórico familiar de trombose, o que torna importante a avaliação vascular preventiva. A desidratação agrava o risco, por isso é essencial manter uma boa ingestão de líquidos durante o voo.
As meias de compressão auxiliam na circulação, reduzindo o acúmulo de sangue nas pernas e prevenindo complicações, especialmente em pessoas com varizes.
Neste artigo, você vai entender por que o risco de trombose pode aumentar durante voos longos, quem deve ficar mais atento, quais medidas simples ajudam a se proteger durante a viagem e quando procurar avaliação médica antes de embarcar. Aqui você vai ler:
- Por que o avião pode aumentar o risco de trombose?
- O que é trombose venosa profunda?
- Quais são os fatores de risco para trombose durante o voo?
- Quanto tempo de voo aumenta o risco de trombose?
- Como evitar trombose durante o voo?
- É importante levantar durante a viagem?
- Quais exercícios podem ser feitos dentro do avião?
- Beber água ajuda a prevenir trombose?
- Meia de compressão ajuda durante o voo?
- Quem precisa de avaliação médica antes de viajar?
- É necessário tomar anticoagulante antes do voo?
- Quais são os sintomas de trombose depois de uma viagem?
- Quando procurar atendimento médico?
Por que o avião pode aumentar o risco de trombose?
Durante um voo, principalmente nos trajetos mais longos, o passageiro pode permanecer sentado durante várias horas com pouca movimentação das pernas.
Essa imobilidade prolongada reduz a movimentação da musculatura da panturrilha, que normalmente auxilia o retorno do sangue das pernas para o coração. Com menos movimento, pode ocorrer maior estase do sangue nas veias dos membros inferiores, contribuindo para o risco de formação de coágulos em pessoas predispostas.
O risco de trombose durante uma viagem depende principalmente do tempo em que a pessoa permanece sem se movimentar e de suas condições individuais de saúde. Assim, não é apenas o fato de viajar de avião que determina o risco, mas a combinação entre a permanência prolongada na mesma posição e a presença de fatores que possam favorecer a formação de coágulos.
Viagens com duração de quatro horas ou mais são consideradas de longa duração e podem estar associadas a um aumento do risco de tromboembolismo venoso, sobretudo quando o passageiro permanece sentado por períodos prolongados.
Isso não significa que todos os passageiros precisem utilizar medicamentos ou medidas especiais. Para a maioria das pessoas sem fatores de risco importantes, movimentar as pernas e evitar permanecer imóvel por períodos prolongados já são medidas importantes.
“Durante uma viagem longa, o mais importante é não permanecer muitas horas completamente imóvel. Movimentar as pernas e levantar-se periodicamente são medidas simples que favorecem a circulação e podem ajudar a reduzir o risco de trombose”, explica o Prof. Dr. Kasuo Miyake.
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O que é trombose venosa profunda?
A trombose venosa profunda, também conhecida como TVP, ocorre quando um coágulo de sangue se forma dentro de uma veia profunda, geralmente nas pernas. Isso pode dificultar a circulação e provocar sintomas como dor, sensibilidade, aumento do volume e inchaço em uma das pernas.
Em determinadas situações, parte desse coágulo pode se desprender e chegar aos pulmões pela circulação sanguínea. Quando isso acontece, pode ocorrer uma embolia pulmonar, que pode causar falta de ar, dor no peito, tontura ou outros sintomas importantes.
Por isso, embora a trombose relacionada às viagens seja relativamente incomum na população geral, é importante conhecer os fatores de risco e os sinais de alerta.
Quais são os fatores de risco para trombose durante o voo?
O risco de trombose durante uma viagem não é igual para todas as pessoas.
Algumas condições podem aumentar a probabilidade de formação de coágulos, especialmente quando estão associadas à imobilidade prolongada.
Entre os principais fatores estão:
- Histórico de trombose – pessoas que já apresentaram TVP ou embolia pulmonar podem ter risco aumentado.
- Cirurgia ou internação recente – procedimentos cirúrgicos e períodos de imobilização podem aumentar temporariamente o risco.
- Câncer – alguns tipos de câncer e seus tratamentos estão associados a maior risco de tromboembolismo
- Gravidez e período após o parto – alterações fisiológicas desse período podem aumentar a predisposição à formação de coágulos.
- Uso de estrogênio – anticoncepcionais combinados e terapia hormonal podem aumentar o risco em algumas pessoas.
- Obesidade – o excesso de peso pode estar associado a maior risco de tromboembolismo venoso.
- Alterações hereditárias da coagulação – algumas condições genéticas aumentam a tendência à formação de coágulos.
- Idade avançada – o risco tende a aumentar com a idade.
Esses fatores podem se somar à imobilidade durante uma viagem. Por isso, pessoas com maior risco podem precisar de orientação médica individualizada antes de um voo longo.
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Quanto tempo de voo aumenta o risco de trombose?
O risco de trombose pode aumentar em viagens prolongadas, especialmente quando o passageiro permanece sentado e imóvel durante várias horas. As recomendações médicas especializadas consideram viagens de longa distância aquelas com duração de aproximadamente quatro horas ou mais.
Por isso, não existe um momento exato em que uma pessoa necessariamente desenvolverá trombose. A duração da viagem é apenas um dos elementos considerados na avaliação.
O risco individual depende também da presença de fatores como histórico de trombose, cirurgia recente, gestação, câncer, uso de hormônios e alterações da coagulação.
Como evitar trombose durante o voo?
A principal medida para reduzir o risco relacionado à imobilidade é movimentar-se durante a viagem. Em voos longos, algumas medidas simples podem ser incorporadas à rotina:
· Levantar-se e caminhar pelo corredor periodicamente, quando for seguro fazê-lo.
· Evitar permanecer várias horas sem movimentar as pernas.
· Fazer movimentos com os pés e tornozelos enquanto estiver sentado.
· Contrair e relaxar os músculos das pernas.
· Escolher, quando possível, um assento no corredor para facilitar a movimentação.
· Evitar roupas excessivamente apertadas.
· Conversar com um médico antes da viagem caso apresente fatores importantes de risco.
Essas medidas são simples, mas especialmente importantes em viagens prolongadas.
É importante levantar durante a viagem?
Sempre que possível e respeitando as orientações da tripulação, levantar-se e caminhar pelo corredor durante voos longos pode ajudar a interromper os períodos de imobilidade. O ideal é não esperar sentir dor ou desconforto para movimentar as pernas.
Quando estiver sentado, também é possível realizar movimentos simples com os pés e tornozelos, como elevar e abaixar os calcanhares ou levantar a ponta dos pés. Eles ativam a musculatura da panturrilha e ajudam a favorecer a circulação das pernas.
Quais exercícios podem ser feitos dentro do avião?
Mesmo sentado, é possível movimentar as pernas durante a viagem.
Algumas opções simples incluem:
- Movimentação dos tornozelos – Faça movimentos para cima e para baixo com os pés, alternando entre elevar os calcanhares e a ponta dos pés.
- Contração da panturrilha – Contraia os músculos da panturrilha por alguns segundos e depois relaxe.
- Movimentação dos pés – Faça movimentos circulares com os tornozelos, respeitando seus limites.
- Alongamento das pernas – Sempre que houver espaço e for confortável, estenda e movimente as pernas.
- Caminhada – Quando possível e seguro, levante-se e caminhe pelo corredor.
- O objetivo não é realizar um treino durante o voo, mas evitar longos períodos de completa imobilidade.
Beber água ajuda a prevenir trombose?
Manter uma hidratação adequada durante a viagem é importante para a saúde, mas não deve ser considerado uma medida isolada capaz de prevenir a trombose. A principal preocupação durante um voo longo é evitar a imobilidade prolongada e identificar pessoas que apresentam fatores de risco adicionais.
Por isso, beber água não substitui a movimentação das pernas nem a avaliação médica quando existe uma condição que aumenta o risco de formação de coágulos. Também não é recomendado utilizar medicamentos ou estratégias específicas por conta própria apenas porque será realizado um voo longo.
Meia de compressão ajuda durante o voo?
As meias de compressão podem ser recomendadas para algumas pessoas com maior risco de tromboembolismo venoso durante viagens prolongadas. Entretanto, isso não significa que todos os passageiros precisem utilizá-las.
As recomendações indicam que viajantes sem risco aumentado não precisam utilizar meias de compressão ou medicamentos para prevenção de trombose apenas por realizarem uma viagem longa. Já pessoas com risco substancialmente aumentado podem se beneficiar de medidas como meias de compressão graduada, após avaliação individualizada.
Além disso, é importante que a meia tenha tamanho e compressão adequados. O ideal é receber orientação de um profissional, principalmente quando existem doenças vasculares associadas.
Quem precisa de avaliação médica antes de viajar?
Nem todas as pessoas precisam passar por uma consulta antes de embarcar em um avião.
Porém, uma avaliação médica pode ser especialmente importante para quem apresenta fatores de risco relevantes, como:
· Histórico pessoal de trombose ou embolia pulmonar;
· Cirurgia recente;
· Internação ou período prolongado de imobilidade;
· Câncer;
· Gravidez ou período recente após o parto;
· Uso de medicamentos contendo estrogênio;
· Alterações conhecidas da coagulação;
· Obesidade associada a outros fatores de risco;
· Doenças que aumentem a predisposição à formação de coágulos.
Nessas situações, o médico pode avaliar o risco individual e determinar se alguma medida adicional é necessária. A recomendação é especialmente importante antes de viagens de longa duração.
É necessário tomar anticoagulante antes do voo?
O uso de anticoagulantes não deve ser feito por conta própria para tentar prevenir uma trombose durante uma viagem. Esses medicamentos podem ser indicados em situações específicas para pessoas que apresentam risco elevado, mas a decisão deve ser individualizada pelo médico, considerando tanto o risco de trombose quanto o risco de sangramento.
Para viajantes sem risco aumentado, as diretrizes não recomendam o uso rotineiro de medicamentos para prevenção de trombose durante viagens longas. Também é importante destacar que a aspirina não deve ser utilizada por conta própria para prevenir trombose relacionada à viagem. Por isso, antes de tomar qualquer medicamento, converse com um médico.
Quais são os sintomas de trombose depois de uma viagem?
A trombose pode apresentar sintomas durante ou após a viagem.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
· Inchaço em uma das pernas;
· Dor ou sensibilidade, especialmente na panturrilha;
· Sensação de peso ou desconforto em uma perna;
· Aumento da temperatura da região;
· Vermelhidão ou alteração da coloração da pele.
Um ponto importante é que a trombose pode ocorrer sem sintomas evidentes. Por isso, pessoas que apresentam fatores de risco importantes devem receber orientação médica adequada antes e depois de viagens prolongadas.
Além disso, o risco relacionado à viagem pode permanecer aumentado por algum período após o deslocamento, especialmente em pessoas com outros fatores de risco.
Quando procurar atendimento médico?
Alguns sintomas podem indicar uma complicação potencialmente grave e exigem atendimento médico imediato. Procure atendimento diante de sintomas como:
· Falta de ar súbita;
· Dor ou pressão no peito;
· Tosse, especialmente quando acompanhada de sangue;
· Tontura intensa ou desmaio;
· Dificuldade repentina para respirar.
Esses sintomas podem estar relacionados a uma embolia pulmonar, uma complicação que pode ocorrer quando um coágulo se desloca para os pulmões. Da mesma forma, o surgimento de inchaço, dor ou aumento de volume em uma das pernas após uma viagem longa merece avaliação médica.
“A prevenção da trombose durante uma viagem começa com medidas simples, como movimentar as pernas e evitar permanecer sentado por muitas horas. Para pacientes com fatores de risco, porém, é importante avaliar individualmente a necessidade de outras estratégias.” — Sugestão de aspas para o Prof. Dr. Kasuo Miyake
Perguntas Frequentes
Viajar de avião causa trombose? Viajar de avião não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá trombose. O risco pode aumentar em viagens prolongadas, principalmente quando existe imobilidade por várias horas e fatores individuais de risco.
Quantas horas de voo aumentam o risco de trombose? Viagens com duração de aproximadamente quatro horas ou mais são consideradas viagens de longa distância em recomendações sobre tromboembolismo venoso. O risco aumenta com a duração da imobilidade, mas continua relativamente baixo para a maioria das pessoas.
Como evitar trombose durante o voo? Movimente os pés e as pernas enquanto estiver sentado, levante-se e caminhe periodicamente quando for seguro, evite ficar imóvel por muitas horas e procure orientação médica caso tenha fatores de risco importantes.
Preciso levantar durante o voo para evitar trombose? Em viagens longas, levantar-se e caminhar periodicamente é uma medida útil para interromper períodos prolongados de imobilidade. Também é possível movimentar os pés e as pernas enquanto estiver sentado.
Meia de compressão evita trombose no avião? As meias de compressão graduada podem ser consideradas para determinados passageiros com risco aumentado. Elas não são necessárias rotineiramente para pessoas sem risco elevado e devem ser utilizadas de maneira adequada.
Preciso tomar anticoagulante antes de viajar? Não por conta própria. Medicamentos anticoagulantes podem ser considerados para pessoas com risco substancialmente aumentado, mas essa decisão deve ser feita individualmente por um médico.
Beber água evita trombose durante o voo? Manter uma hidratação adequada é importante durante uma viagem, mas beber água isoladamente não substitui a movimentação das pernas nem outras medidas indicadas para pessoas com maior risco.
Quem já teve trombose pode viajar de avião? Em muitos casos, a viagem pode ser possível, mas a decisão depende da situação clínica, do tratamento em andamento e do risco individual. Quem já teve trombose deve conversar com o médico antes de realizar uma viagem longa.
Quais são os sinais de trombose após o voo? Inchaço, dor, sensibilidade, aumento de temperatura ou alteração da coloração de uma das pernas podem ser sinais de trombose e precisam ser avaliados.
DISCLAIMER
Dados transcritos de vídeos revisados pelo Dr Kasuo Miyake. Estes textos não substituem uma consulta médica com um cirurgião vascular com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Em caso de dúvidas envie sua pergunta através do WhatsApp localizado no site ou agende uma consulta por telemedicina ou presencial na Clínica Miyake.
Responsável técnico da Clíncia Miyake: Kasuo Miyake CRM-SP 68778-2 RQE (Angiologia e Cirurgia Vascular) 18424